Pesquisa aponta rejeição de quase 90%a Aurélio Goiano e expõe insatisfação da população com a gestão em Parauapebas

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A gestão do prefeito de Parauapebas, Aurélio Goiano, enfrenta um dos momentos mais delicados desde o início do mandato. Pesquisa do Instituto Data Populi, registrada no TSE sob o número PA-02789/2026, aponta que a rejeição ao governo municipal ultrapassa 87,5% quando somadas as avaliações regular, ruim e péssima. O levantamento foi realizado entre os dias 18 e 20 de junho de 2026, com 780 entrevistas presenciais, margem de erro de 3,5 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

Os números revelam um desgaste profundo. Segundo os dados divulgados, 75,6% dos entrevistados desaprovam a administração de Aurélio Goiano. Além disso, 69,6% classificam o governo como ruim ou péssimo, enquanto apenas 1% considera a gestão ótima.

O resultado chama atenção porque Aurélio foi eleito em 2024 com forte votação. De acordo com a própria Prefeitura de Parauapebas, ele recebeu 92.073 votos, o equivalente a 58,52% dos votos válidos, sendo apresentado como o prefeito mais votado da história do município. Agora, pouco tempo depois, a pesquisa mostra uma virada brusca na percepção popular.

A insatisfação não aparece apenas no campo político. Ela se reflete diretamente na cobrança por serviços básicos. Saúde, educação, infraestrutura, transporte e abastecimento seguem entre os pontos mais sensíveis para a população. Durante a campanha, Aurélio apresentou propostas como saúde eficiente, educação de qualidade, asfaltamento em todas as áreas da cidade, Hospital da Mulher, unidade materno-infantil, água na torneira e gestão transparente.

Na educação, os próprios dados divulgados pela Prefeitura mostram que Parauapebas alcançou 59% no Indicador Criança Alfabetizada em 2025. Embora a gestão tenha tratado o número como avanço, o dado também revela que cerca de 41% das crianças avaliadas ainda não atingiram o padrão esperado de alfabetização na idade certa. A própria publicação municipal informa que a meta estabelecida era de 63%, ou seja, o município ainda ficou abaixo do objetivo anunciado.

O indicador utilizado pelo Inep avalia alunos do 2º ano do ensino fundamental e considera capacidades como leitura de palavras, frases, textos curtos, localização de informações e interpretação de textos com linguagem verbal e não verbal. Ou seja, não se trata de um número abstrato: o dado mede uma base essencial da aprendizagem.

Na saúde, a Prefeitura chegou a divulgar, nos primeiros 100 dias de governo, a contratação de 15 médicos, a realização de mais de 8.500 exames e 16 procedimentos de neurocirurgia no Hospital Geral de Parauapebas. Também informou melhorias em unidades básicas e ações de ampliação no atendimento. No entanto, a elevada reprovação registrada pela pesquisa indica que a população não tem sentido, na prática, uma mudança proporcional às promessas feitas.

A crise também ganhou contornos políticos com o episódio do áudio atribuído ao prefeito. Segundo reportagem de A Província do Pará, um áudio que circula nos bastidores levanta dúvidas sobre a possibilidade de gravações de conversas privadas com aliados. A própria matéria ressalta que, se o conteúdo for autêntico, surge uma pergunta inevitável: por que um agente público gravaria conversas reservadas sem que os interlocutores soubessem?

Esse tipo de episódio abala ainda mais a credibilidade das ações políticas do prefeito. Um prefeito precisa liderar, dialogar e construir pontes. Quando aliados passam a conviver com a dúvida sobre estarem ou não sendo gravados, a credibilidade interna da gestão fica comprometida. A consequência é o enfraquecimento da articulação política e a ampliação da sensação de isolamento administrativo.

Outro ponto que pesa contra a gestão é a distância entre o discurso de campanha e a realidade enfrentada pela população. Aurélio se apresentou como símbolo de mudança, prometendo reconstrução, eficiência e melhoria nos serviços públicos. Passado o entusiasmo eleitoral, a pesquisa mostra que grande parte da população não reconhece essas promessas como entregas concretas.

Politicamente, esse descumprimento de expectativas pode ser interpretado por críticos como uma espécie de “estelionato eleitoral”: quando o eleitor vota acreditando em uma mudança profunda, mas depois se depara com uma administração marcada por conflitos, promessas não cumpridas, serviços questionados e baixa capacidade de resposta.

A rejeição de quase 90% não é apenas um número. É um recado direto das ruas. Parauapebas, uma das cidades mais importantes do Pará, cobra menos discurso e mais resultado. A população quer saúde funcionando, educação com qualidade real, ruas em boas condições, água chegando às casas, transporte digno e uma gestão que inspire confiança. 

O desafio de Aurélio Goiano, agora, não é apenas melhorar sua imagem. É provar, com ações concretas, que ainda tem capacidade de governar uma cidade que já não parece disposta a aceitar apenas promessas, falas fortes e narrativas políticas. Apesar de andar em alguns locais dizendo que a rejeição não é real e que em suas redes sociais ele é bem aceito, ele é vaiado por onde passa e em suas redes sociais os comentários contrários a gestão são excluidos. 

Qual será a próxima “lambança” do prefeito Aurélio Goiano ? 

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